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CRÍTICA RADICAL E
REVOLUÇÃO SOCIAL J. Chasin
1 -
REDESCOBERTA DE MARX
"Para a perspectivação
de uma nova esquerda e sua refundação teórica e prática é
preciso a sustentação categórica, até mesmo com um grânulo
de petulância, da necessidade da revolução social, sem o que
é impossível o soerguimento de uma analítica capaz de levar
ao entendimento efetivo e crítico da realidade, bem como de
levar a efeito uma prática à altura de seu significado. Para
tanto é absolutamente essencial a redescoberta do pensamento
marxiano e a crítica à sua destituição."
In Ad Hominem
1 – Revista de Filosofia/Política/Ciência da
História.
Tomo II – Música e
Literatura. Páginas 54-55.
2 - PRÁTICA
RADICAL E INDIVIDUAÇÃO SOCIAL
"Assim a recuperação de
perspectivas revolucionárias depende da dilucidação do
processo formativo da individualidade, de modo que a
história real e ideal ou concreta e reflexiva da formação
do humano constitui a base - para o entendimento e a
escolha teleológica possível - do tracejamento que divisa e
projeta o passo para além dos limites e das mazelas
atuais.
A individualidade ou processo de individuação, considerados
na sua efetividade de sínteses máximas das formas de
sociabilidade ("a essência humana é o conjunto das relações
sociais" – VI Tese Ad Feuerbach), contém em si o
efeito substantivo de todas as formas e meios que pautam -
estruturam e movem - o emaranhado da existência social, ou
seja, a individualidade é a síntese máxima da produção
social, em outros termos - a sociabilidade se realiza e se
confirma na individualidade - e pela qualidade desta pode
ser avaliada. Ou melhor, o critério por excelência da
avaliação qualitativa das formas de sociabilidade é o
caráter da individuação por ela engendrada, pelos tipos de
indivíduo que ela fabrica, pela escala dessa produção, pelos
limites que impõe a ele e por toda sorte de possibilidades e
constrangimentos que estabelece.
De sorte que o desvendamento da individuação e de suas
qualificações e desclassificações históricas, no andamento
contraditório de sua infinita marcha constitutiva (intensiva
e extensiva), demanda a delucidação efetiva de todos os
patamares ou mediações das formas de interatividade social.
Explicar o homem é entender um resultado social pela
compreensão da sociedade na unidade das instâncias que a
integram.
Presente nas distintas formas de sociabilidade, posto e
reposto com impulsões variáveis, mais ou menos indutoras ou
restringentes, o processo de individuação é, positiva e
negativamente, revolucionário. Em sua positividade
estrutural de longo curso, gera, alarga e qualifica o
complexo categorial do humano, realiza em dada medida a
potência desse ser aberto; em suas vicissitudes concretas,
no curso efetivo de tempos históricos precisos, se apresenta
contraditoriamente, não só como restrito mas corruptor de
latências contidas na figura dessa "abertura" em vir a ser.
Tal como referida por Marx, a individuação tem se dado na
forma da alienação - edifica, faz emergir, bem como
entorpece e desnatura.
Sob essas dimensões, positivas
e negativas, a individualidade é pois estabilidade
evanescente, compelida à mudança, a metamorfoses constantes,
por vezes rápidas e imperiosas, em outras, de modo mais
lento e voluntário, de sorte que individuação é sempre
assentamento tensionado, para o qual mutação e diferenciação
são dinâmicas permanentes. Desde a simples diversidade de
papéis que todo indivíduo encarna no dia a dia de sua
existência cotidiana, até as mutações dramáticas que dele
são exigidas seja por inflexões da sociedade civil, seja nos
passos da participação política. Tudo isso compreendido em
formas sociais que alargam ou estreitam, exaltam ou sepultam
toda ordem de valores, e ainda sob a dinâmica compreendida e
propugnada pelo existir, sentir e pensar dos indivíduos, de
suas satisfações e repulsas, em suma, à propensão de vir a
ser mais - de se autogerir.
Como ninguém traz amarrado ao peito o embornal de sua
essência, essa se faz, desfaz e refaz no revolucionamento
permanente de ser indivíduo, por dinâmica intrínseca e
extrínseca ao mesmo."
In Ad Hominem
1 – Revista de Filosofia/Política/Ciência da
História.
Tomo II – Música e
Literatura. Páginas
59-60. |